O que é CMV e como calcular o Custo da Mercadoria Vendida
Se você já ouviu alguém falar em "CMV" e ficou sem saber exatamente o que é, não é só você — é um dos termos que mais gera confusão em quem começa a precificar produto. E olha que ele é, provavelmente, o número mais importante da sua conta: sem CMV certo, todo o resto da precificação sai errado.
O que é CMV
CMV é a sigla para Custo da Mercadoria Vendida — quanto custou, pra você, o produto que acabou de sair da prateleira (ou da produção) rumo ao cliente. Não é o preço de venda, não é o lucro: é só o custo direto daquele item específico.
Se você revende, CMV é o valor que você pagou pro fornecedor por aquela unidade. Se você fabrica, CMV é a soma de matéria-prima, embalagem e mão de obra direta usada pra produzir aquele item.
A fórmula contábil do CMV (visão do estoque todo)
Além do CMV por unidade — o que importa pra precificar um produto —, existe a versão contábil do indicador, que mede o custo de tudo que foi vendido num período (mês, trimestre):
CMV = Estoque inicial + Compras do período − Estoque final
Ou seja: o que você tinha em estoque, mais o que comprou, menos o que sobrou sem vender. Essa conta é útil pra saber o custo total da operação num período — mas não substitui saber o CMV de cada produto individualmente, que é o que decide se aquele item específico está com preço certo. Veja o passo a passo completo dessa fórmula, com exemplo.
O erro mais comum: esquecer custo "escondido"
O erro que mais distorce o CMV é calcular só o preço de compra do fornecedor e esquecer tudo que anda junto dele:
- Frete de compra — o que você pagou pra trazer o produto até você entra no custo, não é "despesa separada".
- Embalagem do produto — se toda unidade sai com uma caixa, sacola ou etiqueta específica, isso é custo daquela unidade.
- Perdas e quebras — produto que estraga, quebra ou não é vendido também pesa no custo médio do que sobrou.
Deixar qualquer um desses de fora faz o CMV parecer menor do que é de verdade — e um CMV subestimado gera um preço de venda que parece lucrativo no papel, mas não cobre o custo real.
CMV não é a mesma coisa que despesa variável
Outra confusão comum: misturar CMV com despesas variáveis do canal de venda (comissão, taxa de maquininha, gateway de pagamento). São coisas diferentes:
- CMV é o custo de produzir ou comprar o produto — não muda dependendo de onde você vende.
- Despesas variáveis são os custos de vender aquele produto num canal específico — e mudam de canal pra canal.
Separar os dois é essencial porque o CMV entra uma vez só na conta, enquanto as despesas variáveis mudam conforme você vende na loja física, no site ou no marketplace.
Como o CMV entra no preço de venda
O CMV é o ponto de partida da fórmula de precificação:
Preço de venda = CMV ÷ (1 − (Despesas variáveis % + Margem desejada %))
Exemplo: um produto tem CMV de R$ 35 (já incluindo frete de compra e embalagem), as despesas variáveis do canal somam 18%, e a margem desejada é 20%.
Preço = 35 ÷ (1 − (0,18 + 0,20)) = 35 ÷ 0,62 = R$ 56,45
Se o CMV real fosse R$ 42 (porque o frete de compra foi esquecido na primeira conta) e você continuasse vendendo a R$ 56,45, a margem real cairia de 20% pra bem menos — mesmo preço, resultado bem pior.
Qual é o CMV ideal
Não existe um número mágico igual pra todo mundo — o CMV saudável varia de acordo com o ramo. Como referência geral, negócios que revendem produto costumam mirar um CMV entre 30% e 50% do preço de venda; abaixo disso sobra mais margem pra despesas e lucro, acima disso o produto fica mais apertado mesmo antes de contar taxa de canal ou despesa fixa.
Mas esse número muda bastante por segmento — moda tem uma faixa saudável diferente de alimentação, que é diferente de eletrônico. Por isso o ideal não é comparar seu CMV com uma média genérica de internet, e sim com a margem saudável do seu próprio ramo.
Por que isso importa todo mês, não só uma vez
CMV muda: fornecedor reajusta preço, frete de compra sobe, embalagem fica mais cara. Um CMV calculado certo há três meses pode já não bater com a realidade hoje — e se o preço de venda não acompanha, a margem que você acha que tem vai encolhendo sem aviso.
O Margem Alvo usa o CMV que você cadastra pra calcular o preço ideal automaticamente, por canal de venda, já considerando a margem saudável do seu segmento — não uma média genérica — e avisa quando a margem sai do saudável, sem você precisar refazer a conta na planilha toda vez que um custo muda.
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