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3 min de leitura

Como precificar seus produtos em 2026 (com inflação e Selic alta)

Em 2026, quem vende produto sente dois aperto ao mesmo tempo. A inflação encarece o CMV — fornecedor reajusta, embalagem reajusta, frete reajusta — e a Selic alta encarece o crédito que sustenta o capital de giro do negócio. O resultado prático: o preço que era saudável há seis meses pode já estar corroendo sua margem sem você perceber, porque nenhum dos dois custos avisa antes de subir.

Por que inflação e Selic alta mudam a conta

Inflação sobe o CMV, não só o preço da prateleira. Cada reajuste de fornecedor empurra o custo do produto pra cima. Se o preço de venda fica parado enquanto o CMV sobe, a margem de contribuição encolhe mês a mês — de forma silenciosa, porque o faturamento pode até crescer enquanto o lucro real cai.

Selic alta encarece dívida e capital de giro. Juro alto pesa em quem financia estoque, parcela maquininha antecipada ou usa cheque especial/empréstimo pra sustentar o caixa entre a compra e a venda. Esse custo financeiro também precisa entrar na conta — geralmente dentro das despesas fixas rateadas — senão o preço "fecha no papel" e não fecha no banco.

Os dois juntos formam a armadilha de 2026: custo sobe (inflação) e o dinheiro pra sustentar o negócio fica mais caro (Selic), enquanto o cliente segue sensível a preço. Quem não revisa a precificação com frequência maior nesse cenário costuma descobrir o problema tarde — no extrato, não na planilha.

Como ajustar sua precificação em 2026

1. Revise o CMV com mais frequência. Trimestral já não é suficiente com inflação em movimento constante; revisar mensalmente evita que a margem escape sem aviso. Veja o que é CMV e como calcular se esse conceito ainda não tá redondo.

2. Reflita o custo do crédito nas despesas fixas rateadas. Se seu negócio depende de capital de giro financiado, o juro da Selic alta é custo de operar — não deveria ficar de fora da conta de preço.

3. Recalcule por canal, não em bloco. Loja física, site próprio e marketplace têm despesas variáveis diferentes (taxa, comissão, imposto). Um reajuste geral de preço, sem separar por canal, pode deixar um canal saudável e outro no prejuízo. Mais em como as taxas de marketplace consomem sua margem.

4. Não confunda repasse de custo com aumento de margem. Reajustar o preço pra cobrir a inflação do CMV mantém a margem que você já tinha — não é ganho, é proteção. Ganho de margem é decisão separada.

5. Aplique a fórmula com os números atualizados:

Preço de venda = CMV ÷ (1 − (Despesas variáveis % + Margem desejada %))

Com CMV, despesas variáveis e despesas fixas rateadas atualizados pro cenário de 2026, o preço sai correto — sem depender de "sensação" de que já reajustou o suficiente.

O risco de não reajustar

Manter preço parado em ano de inflação e juro alto não é neutro — é decisão de reduzir margem aos poucos, mesmo sem essa intenção. O produto continua vendendo, o faturamento pode até parecer estável, mas a margem de contribuição real cai a cada reajuste de fornecedor que não é repassado. Esse é o cenário mais comum de negócio que "vende bem e não sobra dinheiro".

Descubra se seu preço já ficou pra trás

O jeito mais rápido de saber se sua precificação ainda aguenta o cenário de 2026 é rodar um diagnóstico com os números atuais do seu negócio — CMV, despesas e canal de venda de agora, não os de seis meses atrás.

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